Todas as mulheres já tiveram um traste nas suas vidas. Um traste é um homem com quem se teve uma relação fugaz, um
fogacho ou um simples affaire, e que, de um momento para o outro, desaparece. Desaparece sem deixar rasto. Deixa de dar notícias. Foi um ar que se lhe deu.
Eu, uma mulher que namorou os homens mais decentes e interessantes da zona de Lisboa e arredores, também tive o meu traste. Foi um fogacho. Um fogacho daqueles fraquinhos. Um fogacho fraquinho, mas que me fez andar com um sorriso de orelha a orelha durante uma semana e meia. Foi o tempo que durou, até o traste ter desaparecido para nunca mais dar notícias. A princípio estranhei. Nunca tal coisa me tinha acontecido. Mas depressa dei conta que o traste me tinha dado um pontapé no rabo sem dizer ai nem oi. Sem dó nem piedade. Malvado.
Orgulhosa como eu sou, também não me mexi. Tentei ligar-lhe uma vez (não atendeu) e enviei-lhe um sms, por descargo de consciência, a perguntar se lhe tinha acontecido alguma coisa. Não fosse ele estar numa cama de um hospital ou numa morgue, e eu ali a fazer filmes. A partir daí nada. Apaguei todos os sinais da sua existência (perfil do hi5, messenger, nº de telemóvel, fotografias) e continuei a minha vidinha, sempre esperando um sms com um pedido de desculpas por ter desaparecido. Mas nada. Nada.
Ora qual não é o meu espanto quando, passados quase 2 anos (sim, 2 anos), recebo um sms dele. Olá. Estive a ver fotos antigas e lembrei-me de ti. Tenho saudades tuas. Sei que não fui correcto, mas nunca é tarde para um pedido de desculpas. E assinava no fim.
Claro que nunca lhe respondi. É que o traste, além de traste, ainda consegue ser estúpido. Acharia ele que eu estaria à sua espera de bracinhos abertos? Por favor.
Regozijei-me de tal forma com tudo isto, que até tive medo de mim mesma.