Tuesday, January 23, 2007

Não entendo

Os juízes e os tribunais , de vez em quando, parecem viver no mundo da lua, ditando as sentenças mais estranhas, como quem não tem a mínima noção da realidade. É certo que a lei não ajuda, mas penso que  poderia ser contornada se houvesse boa vontade.

No ano lectivo passado tinha uma aluna que acompanhei durante três anos Vivia com uma senhora que, vendo a menina abandonada à sua sorte a acolheu, ficando com a guarda da criança. Foi o tempo dos pais toxicodependentes destruirem tudo o que havia para destruir, deixando para trás os filhos que foram nascendo sem qualquer planeamento.

Os pais, pelo menos aparentemente, conseguiram sair do vício.  Foi nesta altura que a mãe, passados anos sem querer saber da sua filha, veio novamente pedir a guarda da filha. O tribunal satisfez-lhe o capricho ( sim, eu penso que foi capricho) atribuindo-lhe a guarda da criança visto que já estava recuperada e blá, blá.

A outra senhora, que tanto trabalho teve a criá-la e a educá-la,  ficou destroçada claro. Até porque a mãe fez questão de ir morar para longe da senhora. Proibindo a criança de estar com a pessoa que até aí a tratou como filha. Era duro ver a tal senhora no exterior da escola a tentar ver a menina, sem que ela desse conta. Muitas vezes me pediu se a podia ver. Muitas vezes veio ter comigo em lágrimas porque não estava a conseguir lidar com a situação.

Nos tempos que se seguiram a esta mudança foram notórias as mudanças na menina. Começou a faltar mais às aulas, ficou mais irrequieta, mais nervosa, vinha cheia de sono para a escola, tinha conversas impróprias para a sua idade……

O ano lectivo terminou e nunca mais soube nada da menina, visto que mudou de escola.

O caso da criança que agora tanto falam em tudo me faz lembrar o caso da minha aluna.

Vem um pai sabe-se lá de onde, que teve de ser obrigado a fazer um teste de paternidade e faz questão de ficar com a criança. Porquê? Porque no teste aparece o seu nome e é obrigado a assumir a paternidade. Só por isso. Que pai tem sido ela para aquela criança??

Depois admiram-se de aparecerem crianças maltratadas ou abandonadas.

Eu não entendo. Juro que não entendo.

Posted by Kitty Fane in 00:04:34
Comments

20 Responses

  1. hl says:

    É uma mania lamentável na (in)justiça portuguesa, o de dar sempre as crianças aos pais biológicos, retiram as crianças de lares onde são bem tratados e têm Amor para os darem a gente que os maltrata e o resultado tem sido muitas vezes dramático com infanticidios.
    É extremamente revoltante, o que é que os nossos juizes andam a fazer?

  2. Micas says:

    É verdade, o critério biológico acaba por ser decisivo em questões em que o amor e a dedicação é que deviam importar. desde quando são os laços de sangue mais fortes do que os laços do amor, esses sim, verdadeiros elos familiares? não deveriam ser as decisoes dos tribunais supostas formas de fazer prevalecer o que é justo?
    é impossível ficar indiferente a estes casos…

  3. Por muito que custe a muita gente por mais que queiram passar atestados e estupidez às crianças situações há em que deveriam ser elas a decidir com quem ficar.

  4. Pedro says:

    São casos flagrantes de irresponsabilidade dos juízes e demonstram o estado da nossa justiça.
    Como podem ter decidir desta forma!? Não sabem chamar psicólogos e assistentes sociais para verificarem o que é melhor para a criança?

    Isto anda mt mau…

  5. Black Cat says:

    Parece que ninguém ainda entendeu que, ser ma~e ou ser pai, é uma questão de coração…
    Já está mais que visto que, quando a Seg. Social entrega as crianças aos pais biológicos (geralmente incapazes!), o resultado é nefasto… Mas é a Justiça que temos em Portugal. cada vez mais CEGA! :-(

  6. Duarte says:

    E porque é que há tanta burocracia para adoptar uma criança? Um casal amigo, optou pela adopção e esteve meses e meses a tratar de papeladas tontas. O tempo que perderam nisso, só tornou a adaptação da criança mais difícil. Afinal… não conta o amor?

  7. Lovely says:

    A nossa justiça só deveria ser “cega” no que respeita a estado social, sexo… nunca ao verdadeiro interesse das pessoas. Estes casos de familias adoptantes versus pais biológicos assemelha-se um pouco aos de pais versus mães. Todos já repararam que as crianças são sempre entregues às mães, a não ser em casos muito extremos e muito bem comprovados de negligência ou incapacidade por parte da progenitora. Pois eu, como muitos, de certeza, já vi casos em que a criança ficaria melhor entregue ao pai.

  8. Bem, a culpa não é dos tribunais, mas da lei, que manda dar prevalência ao vínculo de sangue. É assim em todos os sistemas. E é o melhor critério desde que o sistema funcione.
    É óbvio que deve ser retirado o poder paternal aos pais que não tratem bem as crianças e aí é que reside o grande problema destas coisas. A segurança social não tem meios para verificar atempadamente todas as participações.
    Quanto ao caso de Torres Novas, ouçam as notícias com um grão de sal. A história não é bem como está a ser contada.

  9. Blondie says:

    Estou contigo querida Kitty!!!!

  10. Kitty says:

    hl e Micas concordo convosco!

    asdrubal tudo bem que as crianças tenham uma palavra a dizer, mas elas decidirem não me parece de todo bom. A criança acaba sempre por facilmente ser comprada. Eu que lido diariamente com crianças sei bem como elas são. e uma mãe ou um pai que naquele momento satisfaça todos os seus caprichos facilmente a convence.

    Pedro concordo.

    Duarte tb não compreendo isso. São burocracias e mais burocracias. meses e meses. Muitas pessoas acabam por desistir e as instituições estão cheias de crianças a precisar de um colo.

    beijocas

  11. Kitty says:

    Black Cat concordo ctg.

    Lovely eu concordo ctg, embora ache que as crianças ficam QUASE sempre melhor com as mães. quase sempre. Há casos excepcionais como é óbvio!

    Miss Precious acredito que a história não seja bem como está a ser contada. mas o que podemos tirar disto tudo é que um pai que é obrigado a assumir a paternidade pelos tribunais nunca pode ser positivo na educação de uma crriança.

    Querida Blondie beijinhos.

    Beijocas a todos

  12. Nephilim says:

    Eu sobre este caso da miuda sou a favor que a criança fique com o pai biológico, ele teve desde o inico a intenção de ficar com ela com textes de ADN e ela tinha 1ano, os tribunais arrastaram isto até agora e os país adoptivos violaram as ordens do tribunal.

    Eu se por acaso soubesse que teria uma filha com 1 ano tambem a ia buscar, é a reacção normal, a atitude do sargento a impedir isso é que é lamentavel e a dos tribunais tambem por arrastarem o caso.

  13. hierra says:

    Eu acho que chegou a altura de deixar de pensar na intocabilidade de certas profissões nomeadamente, os juizes. Muito mal se diz dos advogados, pouco mal se diz dos juizes. É cada vez mais dificil ter acesso á magistratura, os testes são cada vez mais exigentes. No entanto, os juizes têm boa formação técnica, mas pecam pela ausência de bom senso. Penso que nos casos dos menores entregues para a adopção e posteriormente entregues aos pais biologicos, o que faltou foi bom senso. Bastaria ter um pouco de sensibilidade para julgar de forma conveniente e adequada ás circunstâncias do caso. Esta é a primeira de muitas questões da justiça que vão por em causa a competencia e aptidão dos magistrados.

  14. Jorge says:

    Julga pela televisão conduz a erros bem graves. Queria ver o que seria dos tugas que assinaram a petição se viessem a descobrir que a miúda era maltratada pelo Sargento…

  15. Kitty says:

    Nephilim não concordo de todo. O pai só soube que é pai da criança porque foi obrigado pelos tribunais a fazer os testes. Ora isso diz muito sobre uma pessoa. Não foi de livre vontade. Uma pessoa minimamente responsável, quando vê que uma companheira ou lá o q é engravida tenta averiguar se é o pai. Este não. agora é que vem com isto. Claro que o sargento também não está a agir da melhor forma. Mas tenho a certeza que será melhor pai do que um pai com ar de desgraçado e toxicodependente que quer criar uma filha sem as mínimas condições.

    Hierra concordo ctg!

    Jorge isso é como tudo. “que seria de …. se” isso leva-nos a outras coisas. Eu não vou pensar dessa forma.

    Beijocas

  16. Cara Kitty
    Se fosses um gajo que tivesse ido para a cama com alguém com múltiplos parceiros (isto é apenas uma hipótese), assumirias desde logo a paternidade da criança?
    O pai biológico sempre disse que assumia a criança desde que fosse filha dele, o que é perfeitamente razoável. Os resultados só saíram quando a criança tinha um ano por causa da lentidão dos meios utilizados. Entre o MP pôr acção de averiguação de paternidade e o laboratório efectuar os testes, passou demasiado tempo.
    Fala-se pouco da mãe biológica, mas se a comunicação social estivesse interessada em saber factos concretos, se calhar ias ficar admirada…

  17. Kitty says:

    Não iria para a cama com ela!! :-DD
    Portanto não posso fazer essas suposições! :-DD

    Beijocas

  18. Nephilim says:

    Kitty, mas desde quando o pai da criança é toxicodependente? ou assim tão desgraçado? vi na televisao e nao me pareceu nada disso.

    ele fez os textes e mostrou interesse em ficar com a miuda ainda nem ela tinha 1ano os tribunais é que demoraram muito e agora ela tem 4anos.
    Os trinunais para variar demoram muito e a comunicação social tratou do caso como se o pai da crinça fosse um bandido.

  19. Jorge says:

    Kitty, há que pensar dessa forma a partir do momento em que se põe em questão o sistema judicial quando não há conhecimento de causa e ainda se está na primeira instância. Não é o fim da linha. O homem ainda tem muito por onde recorrer.

  20. Ângela says:

    Eu concordo com muito do que foi dito, mas será que alguém colocou a hipótese de que o pai biológico se arrependeu da sua atitute inicial?áfinal todos podemos errar!não merece ele a oportunidade de corrigir o que fez mal?Quem nunca errou que atire a primeira pedra.Além disso o sargento se keria ficar com a menina devia ter tratado logo da legalização da adopção quando ficou com ela.Ele preferiu ignorar as leis para poder ficar com ela.

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